Depois de conferir o nome do recebedor, o documento e o valor, ainda existe uma etapa.
É preciso analisar de onde o código veio e como ele foi apresentado a você.
Um QR Code pode parecer perfeitamente normal e mesmo assim ter sido substituído, adulterado ou enviado em uma mensagem criada para provocar pressa.
Visualmente não dá para diferenciar um QR Code legítimo de outro criado para desviar o pagamento.
Os dois são apenas quadrados pretos e brancos.
Por isso, uma imagem bem feita, com logotipo, cores da marca e texto profissional, não serve como garantia.
Qualquer pessoa consegue montar um material com essa aparência em poucos minutos.
Em estabelecimentos físicos, o QR Code costuma estar impresso em placas, cardápios, balcões, vitrines ou maquininhas de pagamento.
Em alguns casos, alguém cola um adesivo com outro código por cima do original.
O cliente acredita que está pagando a loja, mas o valor vai para outra conta.
O comerciante muitas vezes só descobre depois, ao perceber que o pagamento não entrou.
Antes de escanear, observe a impressão com atenção.
Adesivo colado por cima, bordas descoladas ou papel que destoa do material da loja são sinais de troca.
Depois de escanear, confirme se o nome exibido pelo banco tem relação com o estabelecimento.
Se houver qualquer diferença entre a cobrança esperada e os dados mostrados pelo banco, interrompa o pagamento e pergunte antes de continuar.
Um QR Code estático pode ser impresso uma vez e usado indefinidamente. Em muitos casos ele não carrega valor definido.
Isso o torna prático para o comerciante e conveniente para quem quer copiá-lo.
Já o código dinâmico é gerado para uma cobrança específica, traz o valor travado e costuma expirar em pouco tempo.
Se alguém apresentou uma cobrança fechada, mas a tela do banco deixa você digitar a quantia livremente, vale confirmar a origem.
QR Codes também chegam por WhatsApp, e-mail, SMS e redes sociais.
O risco cresce quando a cobrança aparece sem que você tenha pedido ou esperado aquele contato.
A mensagem pode falar em fatura atrasada, entrega parada na alfândega ou pedido prestes a ser cancelado.
Também é comum citar uma multa a vencer ou uma taxa para liberar algum serviço.
Antes de pagar, confirme a cobrança no site, no aplicativo ou no telefone oficial da empresa.
Digite o endereço você mesmo no navegador.
Não use o link, o número ou o botão que veio na mensagem suspeita. Eles podem levar de volta ao criminoso.
Criar medo ou ansiedade é uma das estratégias mais comuns em golpes.
A pressa impede a leitura da tela de confirmação, que é justamente a etapa que revelaria o problema.
Frases como "pague agora", "última oportunidade", "evite o bloqueio", "seu CPF será negativado" ou "o pedido será cancelado em minutos" servem para acelerar a decisão.
Quando existir pressão, pare.
Feche a tela, procure o canal oficial e confirme se aquela cobrança realmente existe.
Uma cobrança verdadeira continua existindo dez minutos depois.
Uma cobrança verdadeira pode ser verificada de novo a qualquer momento. Um Pix enviado para a conta errada é bem mais difícil de recuperar.
Repasse os três pontos antes de confirmar: nome e documento do recebedor, valor e origem do código.
Mas muita gente chega aqui depois de já ter pago. Se for o seu caso, ainda existe caminho.
O Pix tem um procedimento oficial de devolução para casos de fraude, criado pelo Banco Central.
Ele permite bloquear e tentar devolver o valor que ainda estiver na conta de quem recebeu.
O prazo para pedir é de 80 dias. Mas cada hora conta, porque o dinheiro costuma ser movimentado rápido.
Na próxima página está o passo a passo, os prazos de resposta e a revisão final antes de confirmar.